• Inteligência sem joelho não chega ao coração

    A luz da manhã tinha aquela qualidade de aquarela; um azul pálido que se dissolvia em pêssego no horizonte, tão suave que parecia que o dia ainda hesitava em começar. O ar estava pesado de sal. Nossos pés afundavam na… Continue reading

    Inteligência sem joelho não chega ao coração
  • O choro adulto é um acidente.

    A saudade da infância é uma coisa quase macia, filtrada pelo tempo. É um cheiro de bolo de fubá saindo do forno numa cozinha que talvez nem exista mais. É a lembrança da grama pinicando as pernas, o toque de… Continue reading

    O choro adulto é um acidente.
  • O Caderno de Sábado

    Fui a um festival de rock neste fim de semana. (Eu. Logo eu, que coleciono silêncios e meço o tempo pelo cheiro do café.) Mas eu estava lá. Por ele. E, talvez, um pouco por mim, para provar que ainda… Continue reading

    O Caderno de Sábado
  • O Avesso da Memória: Manifesto em Pedaços de Lar

    Existe um tipo de silêncio que só a alma reconhece: o da manhã que ainda não se decidiu entre a neblina e o sol. É nesse espaço suspenso que me encontro agora, tentando pinçar as migalhas de luz que tornam… Continue reading

    O Avesso da Memória: Manifesto em Pedaços de Lar
  • Bobagens, poesia, teologia e metafísica

    O som que se derrama pelo quintal é o da infância: risadas que sobem finas como fiapos de nuvem, o baque surdo de uma bola na grama, os gritos de uma brincadeira que só eles entendem. Sentada nos degraus da… Continue reading

    Bobagens, poesia, teologia e metafísica
  • Água que cai do céu

    Há uma estranha e delicada música na água que desaba do céu. Começa com uma nota tímida, um tamborilar suave no vidro da janela, quase um pedido de licença para entrar. Depois, ganha corpo, transforma-se numa partitura complexa que lava… Continue reading

    Água que cai do céu
  • Todo dia a mesma coisa. A mesma coisa todo dia.

    Todo dia a mesma coisa. A mesma coisa todo dia. A gente quase consegue sentir o suspiro que vem antes dela, o curvar sutil dos ombros. É a melodia do cansaço, a ladainha da rotina que parece nos engolir, nos… Continue reading

    Todo dia a mesma coisa. A mesma coisa todo dia.
  • Uma cidade inteira que nunca dorme

    A vida se tece em pausas. Um inspirar fundo antes de mergulhar, um café que esfumaça na janela enquanto a chuva decide se vem. E se tece também em corridas, na urgência miúda de encontrar as chaves, de não perder… Continue reading

    Uma cidade inteira que nunca dorme
  • A primavera nunca arromba a porta

    Setembro se anuncia no ar, antes mesmo que o calendário autorize. É quando o frio, aquele que nos fazia encolher os ombros e apressar o passo, parece perder a convicção. Em seu lugar, aos poucos, infiltra-se um perfume que é… Continue reading

    A primavera nunca arromba a porta
  • A oração que rompe a alma.

    Há uma fratura que se anuncia sem alarde. Começa como um zumbido baixo, uma nota desafinada no fundo da alma, e de repente, tudo se parte. Anabella reconheceu o som. Fazia muito tempo que não o ouvia, e por isso… Continue reading

    A oração que rompe a alma.