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A coragem de ficar
Não pense que eu não quis ir. Houve noites em que abri o atlas sobre o tapete da sala, percorrendo com a ponta dos dedos o contorno sinuoso de países que nem sei pronunciar. Meu coração também bate no ritmo… Continue reading
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Por que está tão triste, oh minha’alma?
Voltei ao mesmo canto da sala, onde a luz da tarde faz dançar a poeira e o silêncio tem cheiro de coisa guardada. O esconderijo de sempre. Mal cheguei, e o choro, represado na garganta o dia todo, encontrou o… Continue reading
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Tem chuva em que todo mundo vira criança
Eu voltava de uma ida ao mercado do bairro, daquelas que fazemos rapidamente, pois faltou alguns itens da receita. Na caminhada de volta pra casa, o céu escurecia, eu com as sacolas “apertei o passo” afinal, sabia que água cairia… Continue reading
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Poesia da trança
Percorro com os dedos a superfície das fotos, onde o tempo congelou em cores saturadas, e me dou conta do meu desconhecido: não tenho memória de um mundo onde eu caminhasse sem um par de passos menores ao meu lado.… Continue reading
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A urgência de não ter pressa
Hoje, girei a chave na fechadura com uma intenção diferente. Não foi apenas para entrar, mas para trancar o mundo lá fora. Deixei a pressa no capacho, junto com os sapatos empoeirados e a lista interminável de pendências que teimam… Continue reading
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A Teologia dos Observadores
Nós somos ensinados a celebrar o grande. O barulho da conquista, o estrondo do fogo de artifício, a vastidão do oceano que nos faz sentir pequenos. Nossos olhos são treinados para o espetáculo. Corremos de uma paisagem para outra, com… Continue reading
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Inteligência sem joelho não chega ao coração
A luz da manhã tinha aquela qualidade de aquarela; um azul pálido que se dissolvia em pêssego no horizonte, tão suave que parecia que o dia ainda hesitava em começar. O ar estava pesado de sal. Nossos pés afundavam na… Continue reading
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O choro adulto é um acidente.
A saudade da infância é uma coisa quase macia, filtrada pelo tempo. É um cheiro de bolo de fubá saindo do forno numa cozinha que talvez nem exista mais. É a lembrança da grama pinicando as pernas, o toque de… Continue reading
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O Caderno de Sábado
Fui a um festival de rock neste fim de semana. (Eu. Logo eu, que coleciono silêncios e meço o tempo pelo cheiro do café.) Mas eu estava lá. Por ele. E, talvez, um pouco por mim, para provar que ainda… Continue reading
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O Avesso da Memória: Manifesto em Pedaços de Lar
Existe um tipo de silêncio que só a alma reconhece: o da manhã que ainda não se decidiu entre a neblina e o sol. É nesse espaço suspenso que me encontro agora, tentando pinçar as migalhas de luz que tornam… Continue reading










