O que é essa coisa de ver ir diante dos olhos, alguém que você não sabe como existir sem?

O lembrete amargo de cada dia, como aquele café que esfriou, porque você deixou na xícara porque iria tomar depois, mas agora não consegue tomar de uma vez, visto que cada gota desce a garganta rasgando.

Mas a xícara está ali, todos os dias, cheia novamente. Esperando o seu gole.

Acordo pensando que não vou encontrá-la, mas ela permanece me esperando. Ás vezes cheia, ás vezes só com um fundinho… Quando tem só um pouco da lembrança do luto pra tomar, dói menos. Mas nunca deixa de doer.

Acho que faz parte de reaprender a ser quem se é, sem alguém que ocupou tanto espaço nessa história toda.

Ocasionalmente encontro quem carrega uma xícara dessas também, vira e mexe a gente toma junto, sem combinar mesmo…

Quando isso acontece, o café é menos frio e a boca quase não amarra.

A dor não deixa de existir. Mas é que, nesses momentos, eu tenho companhia. Aí parece bala doce, de iogurte, que ajuda a continuar e entender a famosa frase: “saudade é o azar de quem teve muita sorte”.

Amanhã estarei aqui de novo, mais um gole, talvez mais um doce. Esse é o preço que pago diariamente, orgulhosa, por carregar um amor que não tem fim.

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