Engraçado é como os dias podem escorrer pelos nossos dedos. Ou talvez se assemelhem ao passar de frames em uma velocidade absurda diante de nossos olhos.
Não há um minuto sequer que não penso em nossa finitude, pelo menos aqui – na Terra. Em como é necessário apenas um passo em falso, um piscar de olhos ou um movimento para que aquilo que conhecemos acabe. Na grande marioria das vezes o ser humano vive como se fosse imortal, quando na verdade, está dentro de casca finíssima.
São com esses pensamentos que, de repente, me vejo olhar para o pôr do sol. Depois de ler milhares de vezes sobre a importância da natureza, do ócio e de tudo aquilo que eu e você sabemos de cor e de trás pra frente, ainda sinto dificuldade em praticar os hábitos mais simples dessa vida.
É como se eu sempre deixasse para depois. Como se o tempo escorresse tal qual vidro derretido, com uma louca insistência em ser perseguido por mim.
Talvez, não mais. Ou melhor, com certeza: não mais.
O primeiro passo que decidi dar foi no físico (não no meu, que também precisa melhorar, mas nas coisas ao meu redor). E quando falo “coisas”, não quero dizer sobre coisas que acontecem, mas sim sobre a tralha que continuo a colecionar com o passar das semanas. Ora, quanto mais objetos, traquinagens e afins tenho, mais tempo precisa ser demandado para cuidar, limpar, organizar, manter e consertar.
Se antes eu estava tentando espremer uma lista de tarefas nos meus dias (e falhando miseravelmente nisso), agora pretendo abrir espaço.
Esse “abrir espaço” contempla várias vertentes, não é mesmo? Na mente, na alma e no físico. Mas, comecemos com pequenos passos para que, um dia, possamos olhar para traz e ver que a vida é realmente feita de pequenos “grandes” passos, todos os dias.
