Voltei ao mesmo canto da sala, onde a luz da tarde faz dançar a poeira e o silêncio tem cheiro de coisa guardada. O esconderijo de sempre. Mal cheguei, e o choro, represado na garganta o dia todo, encontrou o caminho do rosto.

Do lado de dentro, uma pergunta ecoa nas costelas: Por que esse peso de chumbo, minha alma? Por que te dobras, como roupa velha esquecida no varal? O abatimento tem uma textura áspera, arranha o peito quando tento respirar fundo.

Mas a espera não foi em vão. Tua graça não arrombou a porta; ela deslizou pela fresta do chão, suave como o primeiro raio de sol. O amor veio depois, com a paciência de quem restaura um vaso quebrado, colando caquinho por caquinho. E a certeza pousou como um pássaro no ombro: eu sou casa Tua.

O pranto mudou de tom. Deixou de ser desespero para ser alívio. E o abraço veio — sólido, largo, com cheiro de segurança e lã batida. O colo de um Pai que não pede explicações, apenas segura o tremor até que ele passe.

Agora, na quietude pós-tempestade, sussurro o pedido mais difícil: Faz a faxina que eu não tive coragem de fazer. Varre o medo que juntei nos cantos escuros da mente. Se for preciso, quebra a porcelana velha dos meus vícios. Desfaz o nó. Que só permaneça em mim o que tiver a Tua essência.

Essa foi uma canção que nasceu em 2018. Eu era apenas uma menina cheia de dúvidas, medos e ansiedades, como toda adolescente. Mas com a certeza da soberania do Senhor sobre minhas emoções.

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