Eu voltava de uma ida ao mercado do bairro, daquelas que fazemos rapidamente, pois faltou alguns itens da receita.
Na caminhada de volta pra casa, o céu escurecia, eu com as sacolas “apertei o passo” afinal, sabia que água cairia do céu, me pegando desprevenida, de chinelo de dedo, sem guarda-chuvas.
Chegando na porta do prédio, os primeiros pingos de chuva caiam, avisando que o espetáculo natural iria começar. Cheguei na parte coberta da porta do meu prédio e como em um rompante, o barulho da água caía com força no alumínio do estacionamento e ao mesmo tempo me dava um alívio, como se Deus tivesse o cuidado de ter me deixado chegar em casa sem estar encharcada.
Mas no meio do barulho da chuva, enquanto eu pegava as chaves. ouço gritos e risadas bem altas, que se misturavam com o chiado da chuva: eram duas senhoras, com, provavelmente, mais de meio século, se protegendo da chuva forte, as duas, embaixo de um pequeno cardigan.
Elas subiam a rampa, rindo como crianças que brincam de “pega-pega”. Achei a cena tão bonita, que esperei mais um pouco, reconheci logo, aquilo que poderiam ser frações de segundos que nos arrancam um riso sincero.
E foram.
Unidas ali, embaixo de um casaco só, que era na verdade, um artefato não muito útil para proteger da água, lembrei da criança que brinca de pique esconde e tampa a própria visão, achando que não está sendo vista, mas os pés atrás da cortina denunciam o seu paradeiro.
Parece mesmo, que pra criança, a graça de se esconder, é ser encontrada!
A série de imprevistos daquela tarde, desde a falta dos ingredientes até a chuva que chegou de repente, reforçaram a frase que sempre falo: “imprevistos acontecem” .
Mas existem alguns, que dependendo do momento da vida, faz a gente rir igual criança que brinca. Era o caso das senhoras, o pequeno cardigan e a chuva de verão.
