Os dias passam depressa. As horas que antes se arrastavam, agora se transformam em um piscar de olhos. O que antes era sem graça e monótono, agora tem cheiro de casa, de conforto e de respiro.
Quando foi que o respirar se tornou sinônimo de agonia? Não mais suspiros de surpresa ou felicidade, mas de frustração? Curiosa é a forma como até os bafejos dessa vida correm sem olhar para trás.
A murmuração – lastimavelmente – dá lugar à empolgação.
A gratidão é até mesmo esquecida e parecemos verdadeiros robôs correndo contra o tempo — apáticos e quase imunes à beleza que há não somente no silêncio, mas no barulho.
Apáticos e fora de órbita ficamos quando nosso coração enganoso se afasta das verdades eternas ansiadas. Nossa alma gira sem parar, como se fosse um peão desgovernado dentro de uma caixa de sapatos — totalmente incontrolável e fora de si.
Ah! Quão bela é a misericórdia quando nos alcança de forma graciosa, a nos fazer parar e pensar, parar e enxergar, parar e contemplar o Criador porque estamos com os olhos atentos novamente.
Ah! O quão bela é a misericórdia quando nos alcança de forma graciosa, a nos fazer parar e pensar, parar e enxergar, parar e contemplar o Criador porque estamos com os olhos atentos novamente.
Acredito que são os puxões da vida — esses que são necessários de tempos em tempos porque em nossa essência somos rebeldes a tudo o que é bom. Isso nos faz voltar à realidade, enxergar novamente com os pares certos de óculos e voltar ao eixo.
Até o próximo deslize, em que uma corda é puxada e o peão volta a girar e girar, sem nem saber para onde vai, novamente.
A alma do ser humano é peculiar. Tanto que chega a ser engraçada. É um mistério também. Acho que é por isso que tantas pessoas tentaram dissecá-la. Mas, no final das contas, somente o Criador pode conhecer o coração das suas criaturas.
