Acredito — com toda a convicção que me cabe — que toda, repito, TODA pessoa sabe, no mínimo, sobreviver na cozinha. A clássica frase “não sabe nem cozinhar um ovo” é uma mentira. Daquelas bem cabeludas, inclusive. Um ser humano adulto tem plena capacidade de não morrer de fome. Me espanta um pouco pensar que essa afirmação pode ferir alguns egos ou transformar esse post em algo ríspido… mas é a verdade nua e crua. Fazer o quê?

Dito isso (e já ultrapassando o óbvio que ainda precisava ser dito) confesso: eu casei sem saber cozinhar. Claro, eu me virava. Fazia almoço na casa dos meus pais, cozinhava quando precisava. Mas depois de casada, percebi o quanto eu fazia isso… mal. Bem mal.

E aqui não cabe culpa. Na verdade, meu pai sempre me deu várias dicas — que eu fazia questão de ignorar com uma gentileza displicente. Combinação de sabores? Ah, eu misturo tudo, dá no mesmo. Ponto do macarrão? Pra mim era mais um mito urbano.

Acontece que, quando me tornei a única responsável por alimentar a recém-formada família de duas pessoas, alguns frangos crus acabaram aparecendo na mesa do almoço, acompanhados de molhos duvidosos e massas que passavam longe do al dente.

O episódio da lentilha foi digno de crônica. Toda orgulhosa, fui preparar minha primeira lentilhada, um clássico do Ano Novo da minha avó, que eu vivia sonhando em comer fora de época. Pedi a receita, comprei o grão. Me achei ousada.

Mas o resultado? Parecia comida de rua da Índia com um aviso no balcão: “ATENÇÃO, DOR DE BARRIGA IMINENTE!” Dava pra sentir o curry e mais uns sete temperos a três metros de distância da panela.

E como eu ainda estava confiante na minha veia culinária, preparei um potinho e levei para os meus pais. Eles tentaram diluir o caldo em mais água. Tentaram mesmo. Mas não deu. A aventura terminou ali.

Foi nesse ponto que me caiu a ficha: antes de ter um filho pra alimentar, eu precisava aprender o básico de verdade.

Sempre amei a comida da minha mãe. Até hoje sinto falta do feijão fresquinho, da costelinha de porco, do arroz soltinho e da salada com cheiro de horta. E então me bateu um medo: e se meus filhos nunca tiverem essa memória? E se a “comida de mãe” que eles recordarem for… a lentilha?

Então decidi. Eu queria saber fazer, de verdade, ao menos:

  • um salgado bem sovado,
  • um macarrão memorável,
  • uma proteína digna de repetir o prato,
  • e um bolo.

Sonhava com o de chocolate, mas… a verdade é que ele nunca saiu. A cada tentativa, me sinto mais próxima de desistir.

Mas aprendi a fazer um bolo de milho que hoje preparo de olhos fechados. E, pasmem: todo mundo pede a receita.

Estou aprendendo a seguir receitas, o que, pra mim, sempre foi um desafio. Estou entendendo os sabores, a lógica por trás dos temperos. E, mais importante: estou feliz cozinhando. (Um dia desses, meu marido pode até deixar aqui um testemunho da minha evolução culinária, rs.)

Minha frase, ao fazer esfirras do zero e acertar na textura da massa e no tempero do recheio foi: “Pois agora posso fazer isso para os meus filhos.”

(E eu nem tenho filhos ainda.)

No fim das contas, esse post é só pra te dizer, querido leitor: há esperança. Mesmo que você ache que cozinha bem — ou descubra, com dor de barriga e frango cru, que talvez não cozinhe tão bem assim.

Uma dica de ouro? Escolha um cozinheiro pra aprender. Um só. Um livro, um canal no YouTube, o que for. Cozinha é um universo inteiro. E o básico bem feito já é um superpoder. Tentar aprender tudo de todos só te deixa tonto e frustrado.

No meu caso, comecei com os vídeos da Paola Carosella. Ela é meu oposto: fala devagar, ensina com paciência, tem didática. Reaprendi o básico com ela — e mais do que isso, entendi o porquê das coisas.

Escrevo esse post depois de devorar uma pratada de macarrão ao molho de tomate. Simples, rápido, caseiro. E gostoso. Um avanço real, aqui em casa, onde uma das nossas metas é diminuir o consumo de industrializados.

E pra fechar com chave de ouro (ou melhor, com parmesão ralado), compartilho com você essa receita que já está no meu caderno — sim, eu tenho um caderno de receitas agora. Com orgulho!


🍅 Macarrão ao molho de tomate caseiro e rápido

Ingredientes

  • 200g de tomate cereja ou 4 tomates italianos
  • Sal
  • Pimenta-do-reino moída na hora
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • Manjericão ou tomilho (frescos)
  • Parmesão ralado na hora (opcional, mas recomendadíssimo)
  • Macarrão de sua preferência

Modo de preparo

  1. Se usar tomates cereja: coloque-os em um pote com azeite e sal, e leve à Airfryer a 180°C por 10 minutos.
  2. Se optar pelos tomates italianos (fica beeem mais gostoso!): corte-os em canoas, tempere com sal e leve à Airfryer nas mesmas condições.
  3. Em uma panela grande, ferva água até borbulhar. Adicione sal até parecer “água do mar” e só então coloque o macarrão (nada de água morna ou fria, por favor).
  4. Enquanto o macarrão cozinha, derreta a manteiga numa frigideira em fogo bem baixo. Adicione a erva escolhida e deixe que perfume a manteiga, sem refogar ou fritar.
  5. Acrescente os tomates cozidos à manteiga perfumada, misture bem e ajuste com pimenta e mais sal, se necessário.
  6. Quando o macarrão estiver no ponto, transfira diretamente para a frigideira com um pegador. Use um pouco da água do cozimento para dar liga ao molho.
  7. Finalize com parmesão ralado e sirva.

Que essa receita seja um primeiro passo. Ou um respiro no meio do caminho.

E se tudo der errado… tenta o bolo de milho. Esse, juro, é sucesso.

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