Essa não é uma história contra o Instagram. Nem um manifesto contra o uso de redes sociais. É apenas um relato sincero de alguém que, ao observar o próprio comportamento, percebeu que precisava desacelerar.

Por um bom tempo, ignorei os sinais. Irritação sem motivo, pressa constante, uma sensação difusa de estar atrasada mesmo sem saber exatamente para quê. Como uma pessoa naturalmente ansiosa, isso foi se intensificando cada dia mais. Pequenos incômodos se tornaram reações exageradas. Situações comuns me deixavam no limite.

Um dia, me dei conta: eu estava reagindo como uma criança superestimulada. E não era uma metáfora. Era real.

Então, tomei uma decisão simples: apaguei o Instagram do celular. Fiz um post no Estante de Casa – conta que, aliás, não esta abandonada, ok?

Não foi uma ruptura radical. Continuei com o WhatsApp, porque ainda é um canal necessário (Meu sonho, sabe? Mas uma possibilidade irreal). Cortar o acesso fácil ao feed, stories e notificações foi suficiente para perceber um contraste.

Na primeira semana offline, achei que sentiria falta. Que teria aquela “síndrome da abstinência digital”, mas o que senti foi leveza: estava tudo perfeitamente e alegremente normal. Um tipo de silêncio bom e um certo estranhamento também: por várias vezes, me peguei tentando, automaticamente, clicar no ícone que não estava mais ali. A memória do gesto permanecia, mas a necessidade… não.

Comecei a refletir sobre o que, de fato, eu sentia falta. Era da informação? Das pessoas? Da sensação de pertencimento?

Talvez um pouco de tudo. Mas, no fundo, percebi que boa parte do meu tempo online era gasto tentando acompanhar a vida de pessoas que nem faziam parte do meu convívio real. Não era curiosidade sobre alguém específico, mas sobre uma coletividade abstrata — um monte de perfis, avatares, fragmentos de vida.

A verdade era que eu estava em um modo curioso constante, e nem sabia a razão. TANTA informação que, ao final, não servia para nada.

Tcharam. Eu estava me diagnosticando.

Apesar de uma decisão rápida, essa pausa não surgiu de um dia para o outro. Eu já vinha considerando há meses, mas sempre aparecia uma justificativa para adiar: compromissos profissionais, viagens que queria compartilhar, conteúdos que “precisavam” ser postados.

No fundo, eu mesma me impedia. Era como se o sumiço digital significasse desaparecer de verdade. Mas não é assim.

As pessoas que estão comigo — de verdade — me encontram fora dali. Elas me ligam, me mandam mensagem, me convidam para um café. Elas não precisam de um story para saber como estou ou para conversarmos sobre determinado assunto. E tudo bem.

O perfil do Estante de Casa me permitiu ser conectada com várias pessoas: a troca que temos é realmente MUITO boa, e justamente por isso vamos recalcular a rota e voltar de forma mais consciente, de acordo com nossos valores e estilo de vida 🙂

A gente se engana com certa facilidade.

Um dia ruim? “Ah, eu mereço uns minutinhos aqui.”
Um dia bom? “Ah, eu também mereço.”
Um intervalo no meio do dia? “Por que não?”

E assim, qualquer dia se torna desculpa. E o tempo, aquele tempo que a gente diz não ter, escoa por entre vídeos de 15 segundos, curtidas aleatórias e um feed infinito.

Perceber isso, de verdade, foi doloroso. Eu caí na real.

Hoje, alguns dias após essa decisão, me sinto mais centrada. Menos agitada. Mais atenta.

Voltei a assistir conteúdos longos no YouTube: vídeos que contam histórias, ensinam algo, aprofundam uma ideia. Conteúdos com começo, meio e fim. Isso me traz uma sensação de conclusão, de aprendizado, de digestão mental, algo que os vídeos curtos, apesar de divertidos, raramente oferecem.

Também tenho lido mais. Escrevido mais. Pensado mais antes de reagir. A pausa abriu espaço para outras formas de presença e para um ritmo mais humano, mais normal.

Não sei até quando vou manter esse distanciamento. Pode ser que, em algum momento, volte a acessar com mais frequência. Mas, se voltar, será com outra consciência.

Por enquanto, essa escolha tem sido um respiro necessário. Um reencontro com a calma. Uma lembrança de que a vida acontece, e esse é o vídeo mais bonito que existe.


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