É, eu tô com quase 30 e nunca olhei tanto para os meus 15. Precisei voltar pra lá, porque na ânsia de ser grande, acabei me perdendo de mim mesma, e afinal, a bússola é o que eu fui quando eu não tinha medo de nada, nem ninguém, e apenas dava liberdade para ser quem eu queria.
Sem censura. Sem checklist de sucesso.
Parece que depois de caminhar tanto, careci ajustar a ótica pra olhar lá longe, de onde vim, e o fato é que eu nunca imaginaria que a minha versão de 15 anos ensinaria tanto a minha versão de 30.
Engana-se quem pensa que é baixo demais ter que consultar uma adolescente para esclarecer quem uma adulta deve ser. Isso exige um certo esforço, aquele que é necessário quando você não pensa em agradar as expectativas.
Pode ser que eu precise repetir a dose: a versão de 45 anos talvez precise olhar para a de 30. Espero poder ajudá-la, mas não por ter se perdido de si mesma, que seja por outro motivo, por favor. Perder-se de si é um tipo de desatino que custa caro demais. Creio que até pode-se voltar, mas talvez algo fique no caminho.
Meu presente para a “eu” de 45 anos será uma mulher de 30 anos, que sabe onde não deve voltar e que se redescobriu com uma adolescente que pintou o cabelo de todas as cores que desejou, desdobrou-se em conversas que iniciavam no raiar do sol que invadia a brisa fria da madrugada e sonhava grande, sem pudor ou culpa nenhuma.
Que bom que todas essas versões de mim mesma podem se reencontrar e aprender uma com a outra, já era hora de eu descobrir isso, não é mesmo?
Afinal, eu tô com quase 30.
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