Os vinte e poucos anos são um caleidoscópio de caminhos, cada qual se multiplicando em novas encruzilhadas. Há um mundo inteiro se abrindo a cada escolha, cada passo dado rearranjando a Jornada em direções imprevisíveis – que não necessariamente são ruins. É um tempo de pressa e de incerteza, de urgências que colidem com sonhos (tanto com aqueles definidos, quanto os ainda indefinidos), afinal, você está percorrendo as primeiras décadas da vida.
As possibilidades são como um rio em fúria, levando você para frente, às vezes arrastando, outras vezes impulsionando. Você sente o tempo escorrendo pelos dedos, tentando segurar um pouco mais daquele instante que parece ao mesmo tempo infinito e efêmero. Enquanto isso, os pratos giram no alto, precários, frágeis – carreira, relacionamentos, família, futuro. Cada um deles exigindo atenção, enquanto você corre de um lado para o outro para que nenhum caia e se estilhace.
E, no meio de tudo isso, a ansiedade sussurra, tentando ganhar o controle. Ela se disfarça de pressa, de preocupação, de uma inquietação que nunca dorme. Você tenta acalmá-la, respira fundo, busca um refúgio entre um compromisso e outro. Mas ela volta, insistente, te lembrando de todas as escolhas que ainda precisa fazer, de todas as portas que podem se fechar antes que você tenha a chance de atravessá-las.
Mas então, no meio desse turbilhão, surge uma voz mais forte, uma promessa que atravessa a tempestade da mente e aquieta o coração. A ansiedade pode tentar tomar o controle, mas ela não precisa vencer – pelo menos não sempre. Há esperança nesse conflito interno, porque a redenção de Cristo foi completa. Na cruz, Ele levou não apenas o peso do pecado, mas também o fardo da incerteza, da preocupação, do medo do amanhã. E, em Sua ressurreição, Ele nos deu algo maior do que todas as possibilidades deste mundo: a certeza de que nunca caminhamos sozinhos.
E então surge a pergunta: será que um dia essa sensação passa? Será que há um momento em que o turbilhão se aquieta, a correnteza desacelera e os pratos finalmente encontram seu próprio equilíbrio? Ou será que a vida é assim mesmo, um eterno malabarismo, um fluxo incessante de possibilidades que se renovam e se desdobram, sem jamais cessar?
O que eu acho? Que talvez a resposta esteja em aprender a dançar no meio do caos, a aceitar que o equilíbrio não é um estado permanente, mas um movimento contínuo.
Talvez a ansiedade nunca vá embora por completo – mas quem sabe, mais adiante, ela aprenda a caminhar ao seu lado, em vez de correr à sua frente.
E talvez, em algum momento, ao invés de lutar contra a corrente, você aprenda a flutuar. Mas não sozinho.
Porque há uma mão estendida, pronta para segurar a sua.
