Alguns anos atrás tive a oportunidade de visitar as Cataratas do Iguaçu, e essa experiência foi mais do que uma viagem turística! Hoje, a encaro como um momento de profundo contato com algo grandioso, uma beleza tão avassaladora que parecia me transportar para outra dimensão: o tremor daquelas águas me invadia completamente, realmente conseguia sentir a vibração daquela força dentro de mim: O som das águas caindo, a magnitude do cenário, a neblina fina que me envolvia – tudo aquilo me fez sentir a grandeza da criação de Deus.
Ali, diante daquela paisagem impressionante, senti como se estivesse testemunhando a própria criação de Deus. É exatamente sobre essa força transformadora da beleza que quero refletir com você.
O Que a Beleza nos Revela
A beleza não é apenas algo que podemos ver com os olhos, mas algo que sentimos no coração e na alma. Ela tem o poder de nos tirar do piloto automático em que vivemos e nos fazer parar, contemplar e, por alguns minutos, estar presentes de verdade.
De acordo com o filósofo Josef Pieper, em um mundo moderno, repleto de estímulos visuais e distrações, perdemos a capacidade de ver a beleza porque há simplesmente “muito para ver”.
Estamos tão absorvidos por tudo o que nos rodeia – redes sociais, entretenimento constante, tarefas do cotidiano – que nos esquecemos de parar para contemplar o que realmente importa.
Essa conexão com a beleza natural vai além de uma apreciação estética, ela nos conecta ao divino.
Josef Pieper descreve a beleza como algo que desperta em nós a capacidade de “ver” o mundo de uma forma mais profunda, menos superficial, pois em um mundo saturado de “ruído visual”, raramente temos a oportunidade de parar e realmente enxergar o que está à nossa volta.
Quando paramos diante de uma obra de arte, por exemplo, elas nos forçam a admirar, a sentir. E, nesse processo, percebemos que a beleza que estamos testemunhando é muito mais do que algo bonito, mas sim uma expressão do poder criador de Deus, uma oportunidade de nos conectarmos com algo muito maior do que nós mesmos.
A Criatividade Humana e a Beleza
Além de nos conectar ao divino, a beleza também nos lembra da nossa própria capacidade de criar.
Fomos feitos à imagem de Deus, como aponta a ideia da “imago Dei“. Isso significa que, assim como Ele criou o mundo e todas as suas maravilhas, também temos a capacidade de criar beleza.
O poeta Richard Wilbur descreve a beleza como uma demonstração da nossa capacidade de fazer coisas novas com as matérias-primas que Deus nos deu.
Nas Cataratas do Iguaçu, percebi isso de maneira muito clara. Aquela maravilha natural – as quedas d’água poderosas e incessantes – me fez pensar em como também somos capazes de criar algo belo. Claro, não podemos recriar as Cataratas, mas podemos usar o que Deus nos forneceu – nossas habilidades, nossa criatividade, nossa imaginação – para trazer mais beleza ao mundo, seja em forma de arte, música ou até mesmo gestos de bondade no nosso dia a dia.
Dorothy L. Sayers, em sua obra “A Mente do Criador”, fala sobre como a criatividade humana é um reflexo da imagem de Deus. As árvores, as pedras, a água, tudo o que nos cerca são as matérias-primas fornecidas por Ele. E, assim como Deus, podemos transformar essas matérias-primas em algo novo.
Um exemplo simples é a arte: quando vemos a grandiosidade de uma catedral ou ouvimos uma sinfonia, somos lembrados de que a nossa capacidade de criar vem diretamente de Deus.
A beleza tem o poder de transformar nossa maneira de ver o mundo. E ela não está presente apenas nas grandes maravilhas naturais, como as Cataratas. Ela está ao nosso redor o tempo todo – nas pequenas coisas, nos momentos cotidianos. É preciso apenas estar atento e disposto a enxergar, aceitando o convite do Criador.
Então, convido você a parar por um momento.
Respire fundo, olhe ao seu redor e perceba a beleza que está ao seu alcance. Ela é um lembrete de que, apesar das distrações e da correria da vida moderna, há sempre algo de divino esperando para ser visto, sentido e apreciado, e nosso Deus se alegra com isso.
Esse post faz parte da série de conteúdos do bookClub do @estantedecasa 🙂

Sobre o tema: Arte e Fé: Uma teologia do criar, de Makoto Fujimura
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