Nesse momento estou em um quarto de hospital, acompanhando meu marido e esperando nossa alta. Não se preocupe, não foi nada sério, apenas uma cirurgia eletiva que requer alguns cuidados.
Em meio à minha função aqui, tive bastante tempo para pensar. E orar silenciosamente. É o tipo de coisa que te tira de uma rotina, te transporta para um outro local, te fazendo organizar um pouco os pensamentos.
Desacelerei, sabendo que o próximo semestre vai ser completamente insano. Minha rotina será bem puxada, com horários apertados e muitos compromissos. Mas pela primeira vez que isso acontece, estou em paz! Acho que é porque estou diferente do que um tempo atrás, em que a ansiedade me consumia.
Esse ano li o livro “Fortes e Fracos“, da Ana Staut, uma leitura que me abraçou e me mostrou que não estava sozinha. Bem resumidamente, o tema é sobre doenças mentais (como a ansiedade, por exemplo), sob a perspectiva bíblica. Aqui em casa brinco que sou uma ansiosa controlada, tenho uma rede de apoio maravilhosa e o hoje isso não me controla mais, porém é preciso me manter alerta. Observar sinais, sabendo que existe redenção para essa parte da minha vida.
Não estou dizendo que é fácil: existem dias mais difíceis que outros, mas sempre um passo (ou um dia) de cada vez.
Me senti extremamente acolhida com a obra, que de forma séria abordou uma coisa que por muitas vezes foi uma vergonha pra mim, afinal, eu, conhecendo Jesus, me relacionando com Ele e tendo esses problemas? Não fazia sentido na minha cabeça.
Um dia, certo familiar, ao saber que eu estava em tratamento, me perguntou:
“Mas justo você? Que conhece Deus, é tão espiritual…assim? Por que?”
A resposta mais sincera que encontrei foi “Não sei”. E realmente, na época, não sabia. Certas vezes pode ser difícil admitir que não sabemos de algo. Essa era uma pergunta que eu não tinha resposta. Mas hoje consigo ajudar pessoas que se encontram nessa mesma dificuldade.
Onde eu quero chegar?
Faz parte da caminhada cristã ter a humildade de reconhecer que não somos os detentores da verdade, mas mesmo assim, confiamos em um Deus que é bom.
Hoje não entendo a totalidade do porquê tenho esse problema, mas em meio a um mundo caído, confio na bondade do meu Deus. E sigo percorrendo a corrida que me foi proposta. Às vezes entristecida, mas sempre alegre.
Como é grande a tua bondade,
que reservaste para aqueles que te temem,
e que, à vista dos homens,
concedes àqueles que se refugiam em ti!
Salmos 31:19