
Deus vê quando fazemos algo bom com intenções que não refletem o caráter de Cristo. Essa foi uma frase que me acompanhou desde o início da minha conversão e que me enche de temor, mesmo passados quase nove anos.
Convenhamos que é muuuito mais fácil identificar um pecado sexual, de conduta (seja ela de ação ou omissão), que são palpáveis até certo ponto. É fácil identificar um pecado sexual, de conduta, ação ou omissão: são visíveis e até certo ponto, palpáveis.
Mas, o que fazemos em relação aos pecados que ninguém além de você pode ver, ou sentir? Esses que muitas vezes são esquecidos por medo ou negação, colocados no fundo do coração, fazendo com que a alma se recuse a pensar sobre eles?
A boa notícia é que mesmo em meio uma natureza caída, somos convidados a nos arrependermos e sermos novas criaturas.
A misericórdia do Senhor se renova todos os dias! Somos pecadores, mas não devemos cultivar uma vida pecaminosa. O que quero dizer é que quando tentamos justificar nossos pecados através do perdão de Cristo Jesus nos tornamos aproveitadores da Graça – algo sério demais!
Acredito que fazemos parte da missão da grande comissão nessa terra e que nossas histórias individuais estão inseridas em uma história muito maior do que nós mesmos, mas também acredito que a partir do momento que não somos mais escravos do pecado precisamos buscar sermos mais parecidos com Cristo por completo: e isso também incluí emoções, pensamentos e sentimentos redimidos.
É um exercício que vai permanecer durante toda nossa vida, afinal, estamos sendo diariamente aperfeiçoados.
Sem dúvidas, isso transcende um entendimento natural e essa compreensão só é possível quando colocamos nossos olhos em Cristo:
Somos chamados pelo Criador não somente a sermos mais parecidos com Cristo nas nossas atitudes, mas também no nosso coração.
É difícil percebermos essas condutas mentais para que deixem de ser normais, justamente porque nossa natureza carnal grita por esse tipo de coisa. O ego humano é frágil e condicionado a imediatamente mudar o foco quando começamos a identificar isso.
Deus vê além das nossas ações: ele vê as intenções do nosso coração, muitas vezes obstinado, endurecido, preenchido pelo ego e pelo orgulho.
A boa notícia é que mesmo assim eles nos ama. Deus em toda sua grandeza, ama seus filhos, redimidos pelo sangue do Cordeiro, pecadores e que ainda assim, não o amam o suficiente. Mesmo vendo nosso pior lado, o amor fiel permanece!
Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos.
Salmos 139:1-2
É impossível fugirmos da presença do Senhor. E sabendo disso, convido você a meditar nos primeiros três capítulos do livro de 1 Coríntios (esse será o tema central do primeiro episódio do podcast do nosso clube de leitura de próximo mês). Em breve abordaremos as passagens com mais vigor, mas por hora, podemos observar que o orgulho espiritual é a ilusão de que temos competência, sem Deus, para conduzir a vida, desenvolver nosso próprio senso de valor pessoal e descobrir um propósito grande o bastante para dar sentido à vida.
CS Lewis, no capítulo “o problema de fulano”, do livro “Deus no banco dos réus”, fala sobre como colocamos expectativa nas outras pessoas, e que quando somos frustrados pelo caráter de terceiros, nos vemos frustrados e em até certo ponto nos sentimos “como o Senhor deve ter se sentido na queda”, com duas gritantes diferenças:
Nessa narrativa de quando somos feridos, Deus vê o caráter de todos; nós vemos o de todos, exceto o nosso. Ele vê nossas falhas de caráter, nossos pecados. Somos tão pecadores quanto as pessoas que nos feriram.
O segundo ponto é o que o Senhor, apesar disso tudo, ama àqueles que ferem. Ele não abandona, apesar dos erros. Ele ama o pecador, não seu pecado.
E pode ter certeza que cada pensamento vil, cada momento de maldade, inveja, manipulação, arrogância, ganancia e presunção (da parte de todos), entristecem o seu espírito mais que o nosso.
Que a partir desse texto possamos sondar nosso coração, nos arrepender e nos perguntarmos, com toda sinceridade, quem somos na fila do pão.
Não sei você, mas eu sou o mofo.